Alzheimer e atividade física

December 4, 2009

Todos conhecemos a doença de Alzheimer, que, além da perda de memória, causa dificuldades de raciocínio, na linguagem, na orientação temporal, dificuldade de realizar tarefas simples, alteração no apetite e no sono, desorientação espacial, até mesmo dentro da própria casa. Ela não tem causa conhecida ainda, porém, o conhecimento sobre a doença vem aumentando através de pesquisas e trazendo cada vez mais qualidade para a vida dos pacientes.

Geralmente, a doença se manifesta em torno dos sessenta anos. Quando é diagnosticada na fase inicial, é necessário que além do exame neurológico, seja feito um bom exame de memória, orientação, linguagem e funções normais, pois a queixa geralmente é apenas de falta de memória, o que pode ser sintoma de outras doenças. Quando a doença já está mais avançada somente um histórico e um exame de memória bem feitos são suficientes para diagnosticá-la.

Oliveira e Furtado (1999) explica que, durante o processo de envelhecimento saudável ocorrem diversas alterações no cérebro, diminuindo as funções cognitivas decorrentes dos diversos circuitos cerebrais, semelhante ao processo que acontece na doença de Alzheimer. 

 A doença em sua evolução afeta três áreas fundamentais: a cognição, o comportamento e as atividades do dia-a-dia. O tempo de evolução da doença pode ser de 4 a 8 anos, porém, pode haver casos em que dure 20 anos ou mais.  De acordo com Cayton; Warner; Graham (2005), a doença evolui mais rapidamente em algumas pessoas do que em outras.

 A doença afeta a cognição, porque há uma perda de memória progressiva, começando por fatos recentes e chegando até a perda total, a ponto de não lembrar o próprio nome. De maneira precoce, o paciente sente dificuldade em determinar o período do dia, de se localizar dentro da apropria casa. Quanto á linguagem, a dificuldade inicial é de encontrar palavras e escrever, porém conforme sua evolução o paciente chega ao mutismo e á incapacidade para compreender a linguagem. Em relação ao dia-a-dia, o paciente se torna progressivamente dependente.

Não há uma maneira, nem mesmo através de exames, de se prevenir à doença de Alzheimer. O que existe são fatores que podem de alguma maneira, influenciar ou retardar seu avanço.

Concordando com Nóbrega et al, (apud OLIVEIRA; FURTADO, 2005) a prática regular de atividade física promove respostas favoráveis para um envelhecimento saudável, prevenindo e tratando de doenças como osteoporose, reduzindo índices de mortalidade em portadores da doença de Parkinson e aconselhada também no tratamento de doenças cérebro-degenerativa como esclerose múltipla e Alzheimer, pois prolonga a qualidade e a duração de uma vida ativa, melhorando a coordenação motora e neuromuscular.

Estudos realizados nestes últimos tempos revelam que a prática regular de exercícios físicos têm sido de suma importância no tratamento da doença de Alzheimer.

Conforme Manidi (2000), a atividade física deve estimular o paciente, trazendo benefícios no sentido de: facilitar a redescoberta do esquema corporal; preservar as capacidades funcionais remanescentes durante o máximo de tempo possível; melhorar o aspecto moral e a confiança; restituir a auto-estima e, consequentemente, ajudar a manter certa qualidade de vida.

 Uma pesquisa feita pela UNIFESP, com 65 idosos que foram submetidos a um programa de musculação durante seis meses, mostrou que houve uma melhora sensível nas funções cognitivas como: raciocínio, coordenação motora, percepção e memória, além de diminuir os índices de depressão e ansiedade, melhoraram também o humor e a afetividade.

Um outro estudo foi feito por Linda Teri e colaboradores da universidade de Washington (saiba mais), com 153 portadores de Alzheimer divididos de forma aleatória em dois grupos, chamados de grupo A e grupo B. O grupo A foi submetido a uma combinação de programas de exercícios físicos (dado aos pacientes) e um treinamento de técnicas corporais (dado aos cuidadores), o grupo B manteve sua rotina de medicamentos e acompanhamento médico. Ao comparar os resultados obtidos nos primeiros três meses, percebeu-se que o grupo A esteve duas vezes mais ativo que o grupo B, apresentando uma melhora nos níveis de depressão. E após dois anos, os pacientes do grupo A continuaram apresentando melhoras significativas, onde nesse período o grupo teve 19% de internações contra 50% do grupo B devido a distúrbios comportamentais.

De acordo com Rocha (2006) algumas medidas simples como exercício físico e uma dieta alimentar com baixa ingestão calórica são capazes de retardar o aparecimento de sintomas da doença, sua progressão e de certa forma até mesmo evitá-las.

De acordo com Rauchbach (1990), existem vários fatores a serem trabalhados na atividade física, um deles é a reeducação postural. Os exercícios devem trabalhar o reconhecimento corporal e equilíbrio.

Considerações finais

Podemos perceber através da revisão da literatura que a atividade física tem influenciado de maneira positiva no tratamento da doença de Alzheimer, trazendo benefícios como: aumento da auto-estima, melhora da afetividade e do humor, melhora da capacidade de raciocino, coordenação motora, percepção e memória, diminuindo os índices de depressão, ansiedade e internações, conforme mostram os estudos já realizados.

http://www.efdeportes.com/efd125/atividade-fisica-um-tratamento-para-pessoas-com-alzheimer.htm

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